Caros(as) alunos(as) da pós-graduação da Faculdade Teológica Unida e demais leitores de quase inativo blog, venho compartilhar com vocês os slides e textos base dessa disciplina que ora estou a ministrar.

Toda igreja possui uma missão que se assemelha de forma geral em torno do princípio bíblico de levar a TODOS as boas novas de Jesus Cristo. A questão é como fazê-lo. De acordo com o grupo e espaço social com o qual lide a igreja teremos estratégias, metodologias e focos diferentes. O espaço urbano tem particularidades que devem ser amplamente consideradas nessa ponderação. Neste sentido, iniciei a aula pensando a diferenciação entre espaço urbano e rural a partir do referencial teórico de Émile Durkheim. Os conceitos de consciência individual e coletiva, bem como de solidariedade mecânica e orgânica, são instrumentos de elucidação bem interessantes para demonstrar que no espaço urbano, marcado pelo individualização das referências e interdependência, a estratégia da igreja deve atender e atingir determinados anseios do homem urbano para funcionar, para ter êxito.

A partir disso passo a análise das características do espaço urbano que desafiam à missão da igreja, problematizando Fortaleza como cidade extremamente desigual. Trata-se da 5º cidade mais desigual do mundo segundo relatório da ONU. Veja o slide: Slide I – Desafios do espaço urbano à missão da igreja.

Para ilustrar algumas das questões problematizadas nesse tópico exibi os seguintes vídeos: .

Um dos tópicos específicos de reflexão é a consequência da intolerância e do problema da alteridade e pobreza extrema na grande metrópole, a saber, a invisibilidade dos espaços e das pessoas. A tese sobre a invisibilidade do indivíduo é do doutor em psicologia social pela USP Fernando Braga da Costa. No livro “homens invisíveis: relatos de uma humilhação social”, Costa defende que sujeitos em posições “subalternas” como as de gari adquirem uma invisibilidade perversa e danosa. Recomendo esse programa onde o próprio autor explica sua tese e pesquisa.

Chama a atenção o último vídeo onde o autor fala sobre o “rito de passagem” pelo qual teve que passar para ser “aceito pelo grupo”. Trata-se de particularidades, desafios do trabalho científico que se estendem também a abordagem do “outro” por parte da igreja, daí que a aprendizagem de métodos e abordagens etnográficos serem essenciais e devem ser vistos como instrumentos importantes na atuação da igreja. É necessário conhecer e conhecer de perto para poder atuar. A pesquisa de Costa é muito interessante neste sentido, pois além da seriedade e rigor científicos, foi bastante extensa – dez anos.

Sobre os espaços invisíveis, recomendo a leitura do artigo “Do turista ao morador da cidade: produção de alteridade, visibilidade e invisibilidade do espaço” de minha autoria e em parceria com o colega professor e doutorando em sociologia pela UFC Hélio Monteiro disponível para download em http://pt.scribd.com/doc/103267475/Do-turista-ao-morador-da-cidade-producao-de-alteridade-visibilidade-invisibilidade-do-espaco.

Resumidamente, essa foi a primeira aula. Mais tarde irei postar sobre a segunda aula e o resto do curso. Façam bom proveito do material. Um abraço a todos.

 

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