Car@s alun@s,

sejam bem-vind@s à esta disciplina. Temos diante de nós um grande desafio, pois conforme veremos nos textos da disciplina, pensar o método é pensar a ciência ou, de outra forma, o caráter de cientificidade dessa forma de conhecimento que buscamos desenvolver na universidade.

Os métodos quantitativos são, para a maioria dos estudantes de ciências humanas em geral, uma espécie de medusa a qual ficaremos petrificados aos nos defrontarmos com eles, um bicho de sete cabeças. Minha intenção é mostrar, através da prática, o quanto esses métodos podem ser relevantes para nossas pesquisas, assim, tentarei  fazer com que vocês ocupem os mais diferentes papéis no âmbito da pesquisa, a saber, respondentes e aplicadores de questionários, elaboradores de questionários, tabuladores de dados e analistas destes. Nesse sentido, compartilho com vocês o plano de curso da disciplina (Plano de curso_Práticas de métodos quantitativos_CS).

Nossa segunda leitura trará uma reflexão sobre a história da estatística e de seus usos, bem como um questionamento sobre o ser estatuto de conhecimento “verdadeiro”, assim iremos ler trechos da tese de doutorado em educação (USP) de Natália de Lacerda Gil (2007), intitulada “A dimensão da educação nacional: um estudo sócio-histórico sobre as estatísticas oficiais da escola brasileira” (baixe aqui). Desta tese, iremos ler as páginas (p. 14-25/ 42-45/ 277-313).

Feita a reflexão sobre os estatutos científicos da estatística bem como sobre sua história, passaremos ao exame do uso prático dos métodos quantitativos nas ciências sociais no Brasil. Faremos isso debatendo o artigo de Pedro Neiva “Revisitando o calcanhar de Aquiles metodológico das ciências sociais no Brasil” (aqui).

Nosso próximo passo será a análise do interessantíssimo artigo de Alana Moraes intitulado “A vida das estatísticas, a vida das mulheres: sobre as possibilidades de produzir dados afetados e o caso da pesquisa do IPEA” (Aqui). Neste, a autora questiona se os dados obtidos sem discriminar os gêneros têm de fato capacidade de revelar aspectos da realidade. Neste sentido, a autora analisa a pesquisa do IPEA de 2014, “A tolerância social à violência contra as mulheres” levando-nos a relevantes questionamentos dos dados e conclusões apresentados pela pesquisa.

Para pensar que usos práticos podem ter as estatísticas e quais as implicações dos métodos quantitativos, iremos assistir ao filme “O homem que mudou o jogo” (original: Moneyball, direção: Bennet Miller, 2011) que conta a história de Billy Beane, gerente geral do time de basebol do Oakland Athletics. Moneyball se foca nas tentativas de Beane de criar um time competitivo para a temporada de 2002 de Oakland, apesar da situação financeira desfavorável da equipe, usando uma sofisticada análise estatística dos jogadores.

Passaremos depois ao exame das possibilidades de análise para os dados estatísticos focando numa parte importante da sociologia, a saber, a sociologia da religião. Leremos os artigos “Censo 2010: antigas questões e novos desafios interpretativos à Sociologia da Religião” e “Bye Bye, Brasil”: o declínio das religiões tradicionais no Censo 2000“.

Feitas essas leituras reflexões e debates, passaremos a parte prática da disciplina que consiste numa pesquisa sobre os perfis sócio-econômicos de estudantes ingressantes dos cursos de Ciências Sociais e de Direito da UESPI Parnaíba. Nessa pesquisa iremos avaliar a tese de que os cursos de licenciatura tendem a selecionar alunos de um nível sócio-econômico mais baixo dos que cursos mais prestigiados como Direito. Essa premissa está baseada em dois artigos que iremos ler antes de partir para a aplicação dos questionários. O primeiro é “Origens sociais dos futuros educadores: a democratização desigual da educação superior” de autoria de Janete Palazzo e Candido Alberto Gomes, e o segundo é “A divisão interna do campo universitário: uma tentativa de classificação” de Maria da Graça Jacintho Setton.

A disciplina se encerra com a apresentação de seminários das seis equipes que formaremos e aqui seguem os relatórios que as equipes analisarão para realizar os trabalhos, sua equipe ficará com um deles para analisar (farei sorteio em sala). São eles:

  • Mulheres e trabalho: breve análise do período 2004-2014 (aqui);
  • Violência doméstica contra a mulher (aqui);
  • Hábitos de informação e formação de opinião da população brasileira (aqui).
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