A segunda sessão do Cine Clube Kapital que ocorrerá hoje dia 07 de abril de 2015 trará o filme “Dois dias, uma noite” (baixe aqui). O belo filme escrito e dirigido por Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, nos traz diversas interpelações, minha leitura, entretanto, focou em duas questões: a precarização do mundo do trabalho e suas consequências para a desarticulação da solidariedade de classe e atuação sindical.

Capa do filme Dois dias, uma noite

Acredito que esse debate deve começar pela questão do trabalho: o que ele representa para o homem, no sentido de espécie humana, no sentido de tornar-nos humanos, mais humanos? Parto da concepção marxiana de que o trabalho é fonte de realização humana, no sentido de ser atividade através da qual produzimos o mundo humano, o mundo da cultura. Recomendo a leitura do livro de Engels “Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem” (baixe aqui).

O capitalismo, entretanto, desconstrói o trabalho como atividade de realização ao expropriar o trabalhador do saber sobre a produção e dos meios e instrumentos desta mesma, fazendo com que o trabalho e o seu fruto tornem-se em algo estranho produzindo-se assim a alienação. A alienação, por sua vez, é responsável pela criação da “falsa consciência”, que não permiti que o trabalhador perceba injustiça e exploração em sua relação com o capital, o que, consequentemente, dificulta a perspectiva de se pensar enquanto um coletivo, enquanto pertencente a uma classe.

Um modelo importante de consolidação do modo de produção capitalista é o fordismo, daí que é preciso analisar suas características que se elevou a alienação do trabalhador a um ponto extremo com a especialização e repetição, contribuiu para um processo de acentuação da proletarização da produção. O momento em que vivemos agora, o pós-fordismo caracterizado pela flexibilização da produção traz muitos perigos a classe trabalhadora com um alto nível de rotatividade e flexibilização das leis trabalhistas, tendo como um dos marcos atuais, particularmente no Brasil, a terceirização.

Recomendo duas leituras para a compreensão dessas questões: o excelente livro do sociólogo da UNICAMP Ricardo Antunes “Adeus ao trabalho?” (baixe aqui). E a entrevista do sociólogo Ruy Braga ao portal do PSTU sobre terceirização disponível em http://www.pstu.org.br/node/21375.

Ainda sobre essa importante questão da terceirização, ha uma campanha contra o Projeto de Lei 4330, assista-o:

Para um aprofundamento maior da questão, indico o livro do mesmo Ruy Braga chamado “A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista”.

Por último, disponibilizo o slide que usarei na palestra: Cine clube kapital_Sessão II_Dois dias, uma noite_Prof. Radamés

Boas reflexões!

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