Car@s visitantes deste blog e participantes do cine clube Kapital,

é uma honra recebê-los aqui, sejam bem-vindos. Estamos iniciando um projeto que quer se transformar num espaço de reflexão sobre a sociedade e suas problemáticas, particularmente aquelas ligadas ao sistema capitalista. Esse projeto, porém, depende demais de sua participação, pois do contrário não construiremos esse espaço que prescinde de investimento de sentido e apropriação de uma coletividade.

Em nossa primeira sessão assistimos e debatemos o documentário “Sob vinte centavos” que trata das jornadas de junho de 2013 que tiveram como estopim o aumento das tarifas do transporte público. Quem não pode assistir ou quer assistir novamente ou baixá-lo, está aqui.

Em meu comentário ao documentário utilizei este slide que lhes disponibilizo (Cine clube kapital_Sessão I_Sob vinte centavos_Prof. Radamés). Meu argumento iniciou com a análise do historiador José Murilo de Carvalho sobre cidadania no Brasil. Entendo que essas manifestações põem em xeque o sentido de cidadania, bem como colocam em pauta outras formas de exercê-la rompendo com seu formato tradicional. Acredito que é importante para nós aprofundarmos o debate sobre essa questão, de forma que é recomendada a leitura desse livro (baixe aqui).

Uma obra referência para pensar as jornadas de junho é o livro editado pela editora Boitempo em parceria com Carta Maior “Cidades rebeldes: passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil” (baixe aqui). O livro traz autores de ponta nas discussões sobre a temática das manifestações populares pelo mundo e no Brasil, recomendo que leiam-se todos os artigos.

Livro Cidades Rebeldes

As jornadas de junho tiveram como grande impulsionador o Movimento Passe Livre, daí que é importante conhecer o movimento e entender que suas demandas não são pontuais, assim como compreender também que as manifestações não ocorreram por geração espontânea, que há um histórico de mobilização de uma década por trás delas. Recomento a entrevista que os representantes do movimento deram à TV Cultura no programa Roda Viva, bem como uma apresentação que Lucas Monteiro, um dos representantes, fez na câmara federal.

Em meus estudos sobre a questão política por trás dessas manifestações, deparei-me com a excelente análise de Rafael Balseiro Zin intitulada “O discurso que antecede a exclamação”, recomendo a leitura (baixe aqui).

É importante buscarmos uma compreensão mais ampla sobre a política e os novos atores que “sobem à cena” e eu considero o filósofo e professor da USP Vladimir Safatle um dos mais brilhantes intelectuais da nova geração no Brasil que tem se dedicado muito a compreensão de todo esse processo social. Disponibilizo para vocês dois vídeos para que possam aprofundar a discussão: uma entrevista com ele intitulada “política e desencanto” e o programa Café filosófico intitulado “Quando novos sujeitos políticos sobem à cena”. Vale a pena conferir.

O Movimento Passe Livre tem como antecedentes a “Revolta do Buzu” que ocorreu em Salvador em 2003 e a “Revolta da Catraca” que ocorreu em Florianópolis em 2004. É importante conhecer esses movimentos, até para que não se perca de vista que esses movimentos não são isolados causos de explosão juvenil sem causa e sem história. Recomendo o documentário “Revolta do Buzu” e o texto “teses sobre a revolta do buzu” (leia aqui).

Insisto numa coisa: esses movimentos não existem no vazio histórico e é perniciosa a ideia de que, de repente, o povo acordou, o país acordou. Devemos desconfiar dessas ideias, ainda mais quando uma marca de uísque se apropria dela em suas propagandas, façamos esse exercício crítico de reflexão.

Outra obra importante para pensar sobre os movimentos populares, mas agora em nível mundial é o livro “Occupy: movimentos de protestos que tomaram as ruas” também editado pela parceria Boitempo e Carta Maior. Só consegui uma parte da obra em pdf, baixe aqui. O livro é bem barato, dez reais, é uma obra importante para quem quer pensar essas questões.

A questão urbana urge e um dos movimentos que busca humanizar as grandes cidades trabalha com a ideia de combate a lógica do transporte individual motorizado e propõe outro paradigma de transporte e vivência na cidade. É importante conhecermos essa perspectiva, nesse sentido, indico a obra “Apocalipse motorizado”, essa é a única indicação que não pude ler ou assistir, mas considerei pertinente citar (baixe aqui).

Para encerrar, outro aspecto fenômeno importante para pensar a questão urbana são os megaeventos que estão em pauta no Brasil devido, principalmente, a realização da Copa do Mundo de 2014 e a organização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Que cidade é essa que emerge desses megaeventos? Qual é a proposta? Que modernidade é essa que nos achega? Essas são algumas questão que procurei desvelar juntamente com o prof. Leonardo Vasconcelos no artigo “A copa do mundo 2014 como instrumento de “modernização conservadora”: o caso de Fortaleza como cidade-sede” (baixe aqui).

Há muito mais o que ver, refletir, debater, essa é a minha contribuição. É só o começo, é nossa primeira sessão desse projeto que, eu espero, que contribua de fato para o debate sobre as principais problemáticas que nos interpelam no cotidiano. O espaço é de vocês também, construam esse projeto cine clube junto conosco.

Um abraço a tod@s.

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