Vários governos municipais e estaduais anunciam neste momento que as passagens do transporte público irão voltar para o patamar anterior ou irão baixar de valor. Uma vitória dos movimentos sociais que tomam conta do Brasil? Sim, mas a questão é complexa e alguns pontos carecem de maior reflexão.

O que mais tem chamado a minha atenção em toda essa discussão em torno do valor das passagens do transporte público no Brasil é que dentre as possíveis soluções, a de diminuir o lucro dos empresários do setor não foi citada até agora em nenhum momento pelo governo federal, governos estaduais ou municipais e nem pelo próprio movimento social.

É inaceitável e absurdo… vou repetir: É INACEITÁVEL e ABSURDO esse discurso de que para baixar as tarifas ou simplesmente não aumenta-las, os governos terão que perder capacidade de investimento ou apertar o cinto, conforme afirmou o governador de São Paulo. O que isso significa? Simples, significa que para resolver o problema do transporte público há duas opções: na primeira, há reajuste nas passagens para repor as perdas com, por exemplo, a inflação para que haja a garantia da prestação do serviço de transporte. Na segunda, o governo abre mão de arrecadação com impostos, por exemplo, ou retira o recurso de outras áreas e perde a capacidade de investir em, por exemplo, saúde e educação.

Se você parar para pensar direito verá que as opções são: ou o povo paga ou o povo paga. O que você prefere? Não sei você, mas eu prefiro que essa conta seja dividida por mais gente para que saia menos pesado para todos. Traduza-se: é necessário que os empresários do setor “ajudem” a pagar essa conta. Segundo um estudo citado por um dos líderes do movimento passe livre de São Paulo no pragrama Roda Viva de segunda-feira (17/06), em várias cidades do “mundo desenvolvido” os custos do transporte são divididos por três entre: população, governo e empresários. No Brasil, entretanto, de forma geral a conta é dividida assim: população (70%), governo (20%) e empresários (10%).

O que você acha disso? Está certo? Quando o governo “convidará” os empresários a repensar os seus lucros? Mais importante, de certa forma, é perguntar quando o povo fará esse convite ao governo e aos empresários?

Daí que tenho a convicção de que: as passagens baixaram? Ótimo, agora iremos começar a luta, porque não iremos aceitar que o governo deixa de investir em outras áreas piorando serviços já decrépitos tendo a justificativa de que simplesmente ouviu a voz das ruas.

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