Ontem (dia 10 de junho), o grupo de estudos política e democracia coordenado pelo prof. Reginaldo Chaves e eu, promoveu a conferência “Diálogos heterogêneos sobre política e democracia” no auditório do campus Prof. Possidônio Queiroz em UESPI/Oeiras com três palestras, em sequência: “Arqueologia de uma democracia moribunda” proferida pelo prof. Ms. em filosofia Carlos Henrique; “O poder do mito ou como Neymar é importante para o sistema político brasileiro” proferida por mim e “Georges Bataille e a política do impossível” proferida pelo prof. Ms. em história Reginaldo Sousa Chaves.

O fio condutor das três palestras foi a crítica ao modelo de democracia liberal burguesa, modelo este que se encontra em vias de se tornar insustentável e que possui complexos mecanismos de manutenção.

O prof. Carlos Henrique foi buscar o nascimento da democracia em Atenas, para focar numa crítica à plutocracia que se apropria da democracia moderna, ou seja, do sistema político e jurídico que assegura à classe dominante o controle social e econômico. Veja aqui o slide da palestra (Palestra “Arqueologia de uma democracia moribunda”).

Em minha palestra busquei demonstrar como o herói esportivo ou o ídolo cumpre um papel essencial na sustentação desse modelo democrático liberal baseado em uma suposta meritocracia e igualdade de condições. Como qualquer sistema social, este busca se justificar, provar que faz sentido e que é bom para “todos” e para isso o espetáculo esportivo cumpre um papel essencial na atualização do mito moderno. O sistema cria e foca nossa atenção em figuras emblemáticas que constituem um arquétipo de conduta para a vitória, a chamada saga do herói que todos deveremos repetir para sermos bem sucedidos nessa sociedade, neste sentido, Neymar é um excelente mote de análise. Acesse o slide da palestra (Palestra Grupo de estudos_O poder do mito).

Prof. Reginaldo nos trouxe uma instigante provocação: o que nos espera no pós-democrático? Concordando com a temática geral de que a democracia está no seu limite e realizando um diálogo como Nietzsche para mostrar que o modelo liberal burguês é um embuste, um engodo, Reginaldo tentou nos levar para uma reflexão sobre o que pode vir depois. Violência, caos, terror, subversão? A reflexão girou em torno da política do impossível e centrou-se na obra do intelectual universal (porque filósofo, escritor, antropólogo, economista) Georges Bataille, oportunizando uma reflexão profunda sobre as possibilidades e as impossibilidades que temos diante de nós nessa busca por outro caminho que não esse, esgotado. Slide da palestra (Bataille e a Política do Impossível).

Esse evento é parte de um esforço contínuo de formação de platéia. Esperamos com isso que com o passar do tempo nossos alunos possam valorizar mais o conhecimento, permanecendo no auditório durante todo o evento, prestando verdadeiramente atenção nas palestras e participem de forma mais efetiva e séria (sem gracinhas idiotas, por exemplo).

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