O que é ser político? O que é a política? Em minhas aulas e palestras, tento mostrar para as pessoas que a política está muito mais perto de nós e é muito mais simples do que se imagina. Meu esforço é o de mostrar que a política não está somente nos momentos altamente ritualizados e espetacularizados dos pleitos eleitorais, cada vez mais distantes da realidade cotidiana de todos já que o jogo político tem servido cada vez mais a si mesmo.

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Assim, não devemos abandonar a política por conta disso, ao contrário, devemos celebrar a política em sua acepção mais ampla que resumo em dois pontos: 1. buscar continuamente o bem comum; 2. posicionar-se perante os mais diferentes desafios que a vida propõe.

Uma sociedade de múltiplos sujeitos políticos, no sentido que acabei de citar, tende a ser uma sociedade melhor. Quero agora exemplificar: comento o post de uma garota no auge dos seus 13 anos de idade posicionando-se politicamente sobre uma ideia bem mal formulada. Vejamos a imagem que se segue:

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Ela foi formulada a partir de um site que eu recomendo a leitura somente para quem tem “estômago” – http://www.orgulhohetero.blog.br/, devido ao alto nível de barbaridades que este contém. Comentando a imagem, Francisca Joaquina afirma: “esse é o post mais RIDÍCULO e IGNORANTE que eu já li. Se as pessoas não aprenderem primeiro a conviver com os outros sem preconceito, no caso os gays, como vão poder lutar contra a corrupção? Outra: são 190 milhões de brasileiros e vão culpar o 1 milhão da parada gay por não ter ido na marcha contra a corrupção?”.

São opiniões como estas, iniciativas como estas que me fazem acreditar que ideias como as que estão nesse site não prevalecerão. Entretanto, Francisca Joaquina não deixou de ser criticada por outros jovens neste post, sendo desestimulada em sua ação, vejamos: O jovem I afirma: (sic) “esse post foi meio inutil quero dizer se a pessoa que o fez perdeu seu presioso tempo pra fazelo podia mto bem utilizar esse mesmo tempo pra fazer algo de util tipo cuida da sua vida ou sei la de que adianta vc colocar esses posts se vc não é capaz de mudar nada …”. O jovem II afirma: (sic) “nao adianta tentar mudar as pessoas, pois no fundo todo mundo sabe que o minimo de esforço para tentar mudar algo é cansativo… logo dizem que o pais não vai pra frente e coisa e tals…”.

Para o primeiro jovem, a manifestação de Francisca Joaquina foi “inútil”, pois “útil” seria ela “cuidar de sua vida”, enquanto para o segundo a inutilidade está implícita na medida em que “não adianta tentar mudar as pessoas”.

Maria Eduarda não aceitou tais desestímulos e discordou dos jovens mantendo sua opinião de que é preciso combater o preconceito, fazendo política mais do que a grande maioria dos parlamentares brasileiros, ao encerrar o debate da seguinte forma: “A pessoa que fez o post deixou a mostrar como se apenas os gays devessem ir a parada gay, afinal, ela foi? Acho que não. Mas como citei anteriormente, como poderemos lutar contra a corrupção do nosso país, se nós não aceitarmos as pessoas como ela são, sejam elas gays, lésbicas, ateias, cristãs ou seja lá o que for para lutarmos juntos? Do que adianta estarmos lutando contra uma injustiça, se estamos fazendo outra de não aceitar uma pessoa em sociedade só pela escolha sexual dela? E só porque eles estão ido na parada gay, não quer dizer que eles não poderiam ter ido a marcha contra a corrupção. Ela poderia ter ido à parada gay e ter ido a marcha contra a corrupção, não? E não adianta criticar uma pessoa por não ter feito certa coisa que você mesmo não fez, como a pessoa que fez o pos”.

No fim, quero dizer que a atitude de Francisca Joaquina foi altamente política e essa política que devemos resgatar e com esta política que me entusiasmo demais, todos os dias. Entretanto, cabe a ressalva: não podemos nos limitar somente aos debates nas redes sociais. É necessário ir além e passarmos para a prática, irmos as ruas, participarmos de movimentos sociais, nos engajarmos. Que a paz esteja convosco e que os jovens façam a boa diferença em torno desta.

P.S. Francisca Joaquina é um nome fictício, mas posso dizer com muito orgulho que se trata de minha querida filha/enteada.

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