Não acreditei quando li essa notícia e estou aqui protestando! A prefeitura de São Paulo quer impedir que entidades e organizações não governamentais façam distribuição de comida aos moradores de rua. Leia trecho da reportagem do Jornal da Tarde publicada no yahoo notícias: “A Prefeitura de São Paulo pretende terminar com a distribuição do chamado ‘sopão’ para moradores de rua no centro da cidade. Atualmente, 48 instituições oferecem o serviço voluntário de doação de comida na região. O objetivo da Prefeitura é estimular os moradores de rua a procurarem os albergues à noite, onde são oferecidas refeições. Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, as entidades sociais poderão ser punidas caso não aceitem o convite de distribuir o alimento apenas nos espaços de convivência social que atendem os moradores de rua, chamados de tendas da Prefeitura.” Disponível em http://br.noticias.yahoo.com/prefeitura-quer-proibir-distribui%C3%A7%C3%A3o-comida-gr%C3%A1tis-centro.html

Por que? Para que? Há um argumento que defende que em espaços especiais e voltados para isso, os moradores de rua poderão ter melhores condições de se alimentar. Mas e o que ocorre com aqueles que, por qualquer razão que seja – é legítimo tê-la, não quiser ou não puder ir a esses espaços? Por que não existir as duas opções? Qual é o problema de fato?

Parece-me que, por trás desse discurso de oferecer maior conforto aos moradores de rua, há um cunho higienista, ou seja, um desejo de “limpar a cidade” dessas pessoas, de controla-las pondo-as todas em um mesmo espaço, vigiadas.

A institucionalização da ajuda e do apoio não pode e nem deve negar a iniciativa pública da sociedade civil organizada, ao contrário, o poder público deveria incentivar tais iniciativas e práticas.

O ótimo articulista do yahoo Walter Hupsel que eu já citei nesse blog em outras oportunidades tem uma interessante opinião sobre isso. Leia trecho de seu artigo “Barbárie em estado bruto”: ”

E é isso que a Prefeitura de São Paulo propôs. Ela quer punir pessoas que distribuem “sopão” grátis nas ruas da cidade. Usam falácias numa tentativa espúria de justificar uma ação que é puramente higienista, autoritária.

A atitude canalha da Prefeitura, escondida por trás de mil retóricas, talheres, pratinhos de louça, ou o velho “eu sei que o é melhor para você, que não não tem capacidade de saber e deve ser coagido a me obedecer”, não merece debate, não merece diálogo. Não, não a reconheço como portadora de racionalidade. É vil, é alvejar a população mais carente e abandonada onde mais dói: na mera e simples subsistência.

É a barbárie em seu estado mais puro, e, por isso, mais bruto!

Não é possível dialogar ou debater. Seria possível demostrar, de maneira cabal, que os argumentos elencados pelo poder público são mentirosos. Mas não o farei.

Não é possível dialogar ou debater: isso humanizaria a violência institucional, traria para o campo da racionalidade e da igualdade o que é a violência mais perfeita e mais negadora dea humanidade”. Disponível em http://br.noticias.yahoo.com/blogs/on-the-rocks/barb%C3%A1rie-em-estado-bruto-165820718.html

É indignante!!!

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