Você já deve ter ouvido essa afirmação: – “antigamente você encontrava uma pessoa para trabalhar, mas agora com esse dinheiro do governo ninguém quer mais trabalhar não”! Eu a escuto desde que o programa Bolsa Família foi lançado pelo governo Lula em 2003 unificando iniciativas do governo Fernando Henrique Cardoso capitaneadas pela então primeira-dama Ruth Cardoso, a saber, Bolsa Escola, Auxílio-gás e Cartão Alimentação.

Acho que essa ideia de que “não há mais ninguém disposto a trabalhar”, pode ser traduzido da seguinte forma: poucas pessoas das classes mais pobres estão dispostas a serem exploradas. Parece-me que o Bolsa Família dificulta a exploração, na medida em que garante uma renda “mínima” as famílias (acho que não podemos nem chamar de mínima já que varia de R$ 32 a R$ 306, considerando a renda mensal da família por pessoa, do número de crianças e adolescentes de até 17 anos e do número de gestantes e nutrizes componentes da família, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social).

Quando escuto as pessoas dizendo isso, vejo por trás de suas falas uma saudade do tempo em que por um reles trocado se obtinha um servicinho de casa, mas agora não, “os pobres estão bestas, de nariz em pé” só porque “o governo os sustenta”. Pois bem, isso me lembra uma perversa ideia dos idos de mil e quinhentos quando os portugueses tentaram escravizar nossos índios e estes não aceitaram tal condição. A partir daí surgiu a ideia de que “índio é preguiçoso”. O livro didático reproduzia essa barbaridade até pouco tempo.

Felizmente, os dados demonstram o contrário sobre os impactos do programa Bolsa Família. Além de ter melhorado a cobertura de vacinas, incentivado a frequência escolar entre jovens, reduzido o trabalho infantil e dado mais poder às mulheres ao transferir renda preferencialmente a elas, o programa não gera desocupados. Baseado na avaliação de dados e em entrevistas com 11.433 famílias beneficiárias do programa em 2005 e 2009, o Ministério do Desenvolvimento Social concluiu que tanto beneficiários quanto não beneficiários igualmente pobres trabalham, em média, o mesmo número de horas.

Vou escrever de outra forma: os beneficiários do programa Bolsa Família não trabalham menos do que não beneficiários igualmente pobres, ou seja, o PROGRAMA NÃO GERA DESOCUPADOS!!!

Reportagem do jornal O Globo de hoje republicada pelo site yahoo notícias http://br.noticias.yahoo.com/bolsa-fam%C3%ADlia-mas-carteira-trabalho-assinada-110000221.html demonstra que o ponto negativo é que os usuários do programa tem trabalhado mais no mercado informal. Segundo o estudo do MDS, trata-se, provavelmente, de uma má interpretação por parte dos usuários das regras do programa que não impendem que o mesmo tenha trabalho com carteira assinada.

Para sanar esse problema o governo fez as seguintes mudanças no programa: os usuários permanecem nele ainda por dois anos mesmo que tenham tido uma evolução de renda e há a garantia imediata de retorno ao programa para o caso de desemprego e consequente recuo da renda familiar.

Recomendo a leitura desse informativo do MDS, disponível em http://www.mds.gov.br/layout-1/secretarias-destaques/gestaodainformacao/NotaSagi.pdf

Entre comigo nessa luta de combater o preconceito a esse que é o maior programa de transferência de renda do mundo. Torço para que logo a população menos abastada não precise dele, mas enquanto ela precisar torço pelo fortalecimento do programa como vem fazendo o governo Dilma.

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