Sábado último (02/06), tive o prazer de ministrar uma aula para o curso de filosofia da UFPI da modalidade EaD. O tema que foi proposto foi este: a produção do conhecimento no século XXI. O conhecimento está diretamente ligado ao poder, pois trata-se de algo que para tornar-se precisa de autorização. Conhecimento só se configura como verdade quando autorizado. Assim, por trás do conhecimento há uma teia de poder e dominação.

Desta forma, mostrei para os alunos que todas as formas de conhecimento tem s sua base de autoridade: o conhecimento científico, por exemplo, é baseado na experimentação e prova, o conhecimento religioso, por sua vez, é baseado no sagrado, na crença e na fé e assim por diante, conforme o slide abaixo.

A partir do século XVIII, o conhecimento científico ganha o status de salvador da humanidade, pois através dele nos alcançaríamos um progresso inimaginável. Entretanto, esse progresso nunca foi pleno e muito menos foi democrático, chegando somente a algumas partes do planeta e para algumas pessoas. Assim, a ideia de progresso entra em decadência e, particularmente, no século XXI há o resgate de outras formas de conhecimento ou o reconhecimento da complexidade (ver esses dois textos Edgar Morin_Princípios do conhecimento pertinente e Edgar Morin – O arquiteto da complexidade) do mundo e da necessidade da transdisciplinaridade.

Outro aspecto deste século é a “democratização da informação” em dois sentidos: o do acesso propriamente dito, tendo em vista o acesso propiciado pela internet a inúmeros veículos de comunicação de todo o mundo e, mais impactante, a produção do conhecimento que deixa de ser privilégio apenas dos grandes meios de comunicação de massa e passa a poder ser exercido pelos cidadãos. Tal democratização do conhecimento, portanto, gera um fortalecimento dos movimentos sociais se pensarmos em movimentos contra-hegemônicos como a primavera árabe (Primavera Árabe_Revolução pelo facebook e twiter). Essa é uma consequência bastante positiva.

Há, outrossim, consequências nefastas como, por exemplo, a dispersão dos centros de poder: hoje é muito mais difícil identificar onde estão os “donos do poder” e isso, de certa forma, enfraquece os movimentos sociais. Outra consequência, está no excesso de informação. Citei na aula o caso da sexualidade precoce que está intimamente ligada ao acesso também precoce a vídeos pornográficos, conforme reportagem citada no slide.

Esse blog é um exemplo das mudanças na produção do conhecimento no século XXI, mesmo pouquíssimo lido. Boa leitura e reflexões!

A produção do conhecimento no século XXI

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