O ofício de professor é cheio de ambiguidades. A primeira e, talvez principal, seja que se trata de uma das funções ou papeis sociais mais importantes de qualquer sociedade, mas é, em muitas delas – particularmente na nossa, altamente desvalorizado.
A precarização do trabalho docente é uma realidade cada dia mais galopante e intensa e vários estudos (recomendo a leitura do artigo disponível em http://www.revistas.uniube.br/index.php/rpd/article/viewFile/263/254) apontam problemas como: aumento das exigências associado à precarização das condições para dar conta destas, perda da autonomia, perda da autoridade sobre a sala de aula, violência escolar, falta de compromisso dos pais para com suas responsabilidades formativas e educativas, hipervalorização e encantamento alienante com a tecnologia no processo educacional, precarização dos vínculos empregatícios (contratos provisórios etc.).
Dentre muitos, os resultados principais desse processo são a impossibilidade do professor de exercer a sua efetiva função de educador, a consequente desmotivação com o ofício, a desistência da profissão, a incapacidade por parte da profissão de atrair estudantes qualificados e entusiasmados em serem educadores – em muitos casos os professores o são, porque era o curso superior que podiam fazer, as doenças da mente e as do corpo associadas a esta que geram muitos afastamentos por licença médica nesta profissão, a desvalorização do profissional e do papel social que ele exerce, a dificuldade de investir em uma carreira ou em um trabalho que tem, muitas vezes, caráter provisório.
O surgimento da condição de “trabalho voluntário” como docente é o transbordar de um processo, já há muito bem encaminhado, de desvalorização do professor. Para quem não sabe, e parece que muitos gestores públicos e acadêmicos estão nessa condição, para tornar-se professor é necessário um grande investimento de tempo, estudos, dinheiro… Trata-se de uma profissão onde a máxima moderna de que não se pode mais visualizar o fim dos estudos se exerce de forma muito intensa. Ser professor é ser um estudioso do mundo, da vida sem data para se findar. É necessário que se dê suporte e incentivo a esse investimento, mas não…
Agora, conforme a notícia que se segue, o professor começa a transformar-se em trabalho voluntário. O voluntariado é uma prática importante, particularmente, no disseminar de uma ética da solidariedade. Em um país como o nosso em que as mazelas sociais são gritantes e o poder público é tão ineficiente e lento em sua capacidade de intervenção social, o voluntariado tem muita importância, entretanto: há ofícios que só podem ser praticados por especialistas, pessoas que se prepararam e se preparam para fazê-lo e, como eu já afirmei, é essencial que tal preparação seja recompensada com reconhecimento social e digna remuneração. Assim, só uma maneira de ser voluntariado seria aceita aqui: na função de professor auxiliar ao professor efetivo ou de monitor.
Essa iniciativa dessa Universidade que tem historicamente contribuído historicamente para esse processo de desvalorização do trabalho docente e mercadorização da educação, não é um fato isolado, ou seja, refleti a maneira como a sociedade vê e pensa este ofício, esta profissão.
Temos que pressionar o poder público para aumentar exponencialmente o seu investimento da educação e promover a valorização dos educadores – social, cultural e financeira. Manobras como essa demonstram que as prioridades de investimento são outras e que uma saída para isso é a implementação do trabalho voluntario. O pior é que acredito que não faltarão candidatos. Será que estou errado nisso? Alguém mais concorda que é necessário mudar essa realidade?
Conselho Universitário regulamenta atuação de Professor Voluntário na UVA
Foi instituída a figura de Professor Voluntário na Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA), por deliberação do Conselho Universitário (CONSUNI), na sessão do dia 30 de março de 2012, presidida pelo reitor Antonio Colaço Martins, em conformidade com a Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998.

Poderão candidatar-se ao exercício de atividade efetiva de magistério, como Professor Voluntário, ex-docentes aposentados de Instituições de Ensino Superior, profissionais de entidades com as quais a UVA mantenha parceria, bem como outros candidatos que se enquadrem nas qualificações exigidas pelas atividades a serem exercidas na Universidade.

O Professor Voluntário poderá exercer atividades de ensino, pesquisa, extensão, administração, orientação de alunos, participação em grupos de trabalho de natureza acadêmica, bem como de bancas examinadoras de dissertação, tese, concurso ou seleção simplificada.

As atividades do Professor Voluntário deverão ser previamente aprovadas pelo setor, onde irá atuar, e pela Pró-Reitoria à qual se vincular a atividade a ser exercida, mediante processo instruído com os seguintes documentos: Requerimento ao Reitor; Justificativa do dirigente do Setor, Diretor de Centro ou Pró-Reitor quanto à necessidade da participação do candidato a Professor Voluntário; Curriculum Vitae do candidato; Plano das atividades a serem desenvolvidas; Termo de Adesão celebrado entre a UVA e o prestador do serviço voluntário, o qual deverá ser arquivado no Departamento de Recursos Humanos.

A participação do Professor Voluntário será feita por um período de até dois anos, permitida a prorrogação, por igual período, de acordo com a necessidade do Setor e o interesse do participante.

Serviço
Mais informações na Reitoria. Telefone (88) 3677-4223

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