Essa semana vi uma matéria no Jornal Hoje da rede globo que me deixou muito feliz. O título da matéria já diz muito sobre o acontecimento feliz: “Pai obriga filho a pedir desculpas publicamente por ofender professora”. Vejam a matéria:

“Um aluno não gostou da tarefa da escola e publicou na internet que queria colocar fogo na professora. O desabafo repercutiu muito mal e os pais, envergonhados, fizeram o adolescente se desculpar publicamente.

O pedido de perdão foi publicado na página dos classificados do jornal da cidade. O aluno reconhece que ofendeu a professora ao postar um comentário maldoso em uma rede social. Ele diz que foi em um momento impensado e espera que seu erro não seja repetido por outros alunos.

Com a repercussão do caso, a diretora do colégio chamou o aluno e o pai dele pra uma conversa. Eles pediram desculpas para a professora, mas o pai avaliou que isto não seria suficiente e mandou publicar o anúncio no jornal.

O aluno, de 16 anos, parou de frequentar a escola por alguns dias e foi obrigado pelos pais a cancelar a conta na rede de relacionamentos. “Uma palavra, escrita ou dita é lançada e aí não tem retorno. Pode machucar, às vezes, mais do que uma agressão física”, diz o pai.” Fonte: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2012/03/pai-obriga-filho-pedir-desculpas-publicamente-por-ofender-professora.html – acesso em 29/03/2012.

Há aqui uma conjunção de ações acertadas após um ato cada vez mais comum em nossas escolas – a falta de respeito dos alunos em relação aos professores e a violência escolar. Primeiro, a direção do colégio não foi covarde ou não escolheu o caminho de “deixar para lá” o ato do aluno e chamou os pais e o próprio aluno para conversar – esse é o papel que uma diretoria ou coordenação tem, o de mediar os conflitos não aceitando que alunos e professores sofram com a violência física e/ou simbólica, conheço caso de escolas em que o professor seria convidado a relevar o acontecido e fingir que nada aconteceu. Segundo, a ação do pai do garoto, digno de palmas em tempos em que os pais não estão dispostos a cumprir o seu papel social de educadores de seus filhos.

Se evocarmos, por exemplo, a teoria filosófica da ética, veremos que se trata de algo que depende muito da formação de “berço” para ser bem estabelecida no futuro adulto. Como diria o sociólogo francês Émile Durkheim, a educação é responsável pelo essencial “segundo nascimento” dos indivíduos. O que o autor quer nos ensinar é que não nascemos nada mais do que seres humanos, ou seja, não somos seres sociais ou morais, capazes de discernir, de escolher e de contemplarmos o bem-comum em prejuízo de nossos desejos e paixões mais íntimas. É necessário nascermos de novo num processo onde rompemos com o egoísmo e associalidade comum à criança, nascemos para o convívio social, para a sociabilidade.

Se a escola não conseguir trazer os pais (a comunidade) para dentro dela para que juntos, e somente poderão fazê-lo dessa forma, possam realizar esse segundo nascimento e fazer surgir sujeitos éticos e cidadãos. Do outro lado da linha, nós, pais, temos que, cada vez mais, assumirmos o nosso papel no processo de educação de nossos filhos, não relegando nunca a outrem tal papel. Escola e pais: uni-vos!

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