Uma reportagem intitulada “Professora evangélica prega em aula e aluno sofre bullying na escola” disponível do site http://br.noticias.yahoo.com coloca em pauta a relação entre religião e processo educacional. Passo a exibir trechos da própria matéria para que a notícia fique clara: “Adolescente de 15 anos passou a ser vítima de bullying e intolerância religiosa como resultado de pregação evangélica realizada pela professora de História Roseli Tadeu Tavares de Santana. Aluno do 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Antonio Caputo, no Riacho Grande, em São Bernardo, o garoto começou a ter falta de apetite, problemas na fala e tiques nervosos.

Ele passou a ser alvo de colegas de classe porque é praticante de candomblé e não queria participar das pregações da professora, que faz um ritual antes de começar cada aula: tira uma Bíblia e faz 20 minutos de pregação evangélica aos alunos. O adolescente, que no ano passado começou a ter aulas com ela, ficava constrangido. Seu pai, o aposentado Sebastião da Silveira, 64 anos, é sacerdote de cultos afros. Neste ano, por não concordar com a pregação, decidiu não imitar os colegas. Eles perceberam e sua vida mudou”.

Em primeiro lugar, não há o que se discutir do ponto de vista da lei: o Estado brasileiro é laico e, portanto, a educação fomentada por este o é também, desta forma não é possível que se pregue esta ou aquela religião, não é papel do Estado fazê-lo, mas sim o de promover, também através da educação formal, a tolerância religiosa e o respeito à diferença.

A atitude da professora é, dito isto, inaceitável e bastante errônea, pois ao pregar uma religião e apontá-la como a correta utilizando-se do seu tempo de aula para tal, ela está indo contra o princípio acima mencionado e desfigurando a ação e o papel da educação.

Penso, porém, que a questão não é tão simples como a análise da legislação parece indicar, pois acredito que as religiões têm um grande potencial, se bem utilizadas e se foram harmonizadas em suas diferenças, de promover valores importantes como a paz, o respeito, a solidariedade etc. O fato de que, muitos têm as utilizado para promover o contrário não invalida pensarmos nas religiões como instrumento importantes no processo de formação de uma sociedade mais equitativa, justa.

Compreendam meu argumento aqui: não estou afirmando que as religiões devam ser necessariamente objeto de estudo no sistema educacional, mas sim que não se deve descartar o potencial positivo que elas encerram, pelo mau uso que professoras como a citada na reportagem têm feito.

Entretanto, o principal recado aqui é: não a intolerância, de qualquer tipo que seja: religião, opção sexual, gênero, etnia, cor da pele. O grande desafio de pais, educadores e administradores públicos é, juntos, fazer da escola um espaço de combate a intolerância e, consequentemente, fomento do respeito à diferença.

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